sábado, 17 de março de 2012

410, o paraíso

Não é novidade o estilo de direção, digamos, selvagem dos motoristas, especialmente os de ônibus, no Rio de Janeiro. Não raro o Sr. Mílton chegava em casa dizendo que havia enfrentado o cimento armado. Tendo certa vez entrado mesmo em luta corporal com ele, em um dia em que foi atropelado. Nada grave, felizmente. Mas o fato é que muita gente se assusta e não é para menos.

Eu sou uma usuária habitual dos transportes coletivos da cidade, porém, costumava pegar ônibus de linhas variadas, em uma frequência mais ou menos semanal. Já havia presenciado irregularidades nestas viagens, mas passava por cima delas, julgando-as uma eventualidade. Ocorre que há cerca de uma semana, eu passei a pegar o 410 diariamente. Resultado? Dia sim, dia não, eu tenho um motivo para ligar para a Rio-ônibus.

E as reclamações estão até bem variadas! O ônibus não parar no ponto já virou praxe nas minhas manhãs. A partir da semana que vem eu vou começar a calcular o recorde de quantos ônibus seguidos podem passar sem parar no ponto. [A minha sorte é que na volta pra casa, depois de um dia no mínimo cansativo, eu pego o ônibus no ponto final]. Além disso, essa semana, eu tive a oportunidade de viajar com um motorista fumando enquanto dirigia e outro que ouvia rádio, mp3, ou algo que o valha, usando, não apenas um, mas os dois fones de ouvido!

Confesso que estou inclinada a não denunciar todas as infrações.  Apesar de perigoso, é uma benesse o hábito dos motoristas cariocas de parar em qualquer lugar, desde que surja uma oportunidade, para os passageiros subirem ou descerem. Mas eu garanto que seria capaz de sobreviver sem esse favorzinho, se fosse o preço para que todas as regras que visam a segurança e conforto dos passageiros fossem respeitadas.

Confesso também que não liguei para fazer as minhas reclamações na Rio-ônibus essa semana. Mas prometo que a partir da semana que vem vou começar a cumprir o meu dever de cidadã. Inclusive já criei um esquema de “livro de ocorrências” para usar a partir de agora. Montei uma planilha no Excel com os campos nº do carro, horário e reclamação. Vou reunir as reclamações da semana inteira e fazê-las todas de uma vez. Para quem quiser se juntar a mim, o telefone é 0800 8861000.

Enfim, uma semana foi suficiente para eu descobrir que o 410 é o paraíso... das irregularidades.

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